quarta-feira, 27 de abril de 2011

Breviário Obsceno V - Prólogo do Caos

Todas as quartas-feiras, pontualmente às 16:18h, a campainha tocava duas vezes. Aquele era o prelúdio de apenas duas notas que m., devidamente trajada, aguardava em sua ópera de tormentos.
Era uma cena simples. O convite para entrar. m. aponta uma poltrona junto as estantes. Ele agradece, mas avisa o quanto o assunto é sério. m. oferece um café. Já sabe exatamente a quantidade de açúcar que ele gosta, porém, o rito, faz com que a medida seja equivocada. Até aquele momento, a pauta continuava imaculada. Todos sinais perfeitamente respeitados. Houve muito ensaio para que a dança chegasse até aquele ponto. Era uma peça surrada, de uma velha companhia de teatro em que alguns atores já haviam falecido.
Aquele erro é necessário para todo o compasso seguinte. É o estopim pedagógico. Deve pedir desculpas, como dezenas de vezes já o fez. Aquele é o ponto exato em que tudo vira caos, um jazz atonal, em que ele a toma de súbito e nunca compõe a mesma melodia.
Por mais que m. concordasse com todas as possibilidades previamente estabelecidas, ele sempre compunha novos significados. m. sempre era tomada de medo. Primal e infantil. Talvez fosse o principal motivo da admirção de m. por ele. Nunca deixou de achar ele estranho.
Desta vez, foi minimalista. Escolheu apenas um tema (suplício: um paddle pequeno de angelim vermelho) e compilou modestas variações no corpo atado a seus pés no chão.
Ofegante, chorosa e imobilizada, m. não sabia se aguentaria muito mais aquele suplício. Criou coragem, mesmo sabendo que não o devia fazer, e rogou a ele que precisava ser invadida, que iria explodir de tesão se não o fizesse logo.
Para total surpresa de m., ele tira sua vara tesa da calça risca de giz, exibe de todas formas para m., mas, em nenhum momento deixa que o toque. Nunca haviam ido tão longe numa cena. Aquele pedido gerou uma complexa trama entre os desejos e os acontecimentos.
Porém, num lampejo de lucidez, ele ergue a calça, guarda o membro e manda ela se recompor. m. não acredita. Estava tão próxima ao gozo, tão próxima de ser avidamente consumida, que surta em desespero.
- Vem cá, está de palhaçada comigo, só pode. Impossível, tu com uma piroca dura como essa que acabou de guardar, não querer cravar ela inteira em mim. Olha, estou me oferecendo - m. se vira, abaixa o dorso como ele ensinou, e mostra a buceta ensopada e o rabo. Assim está bom pra ti? Mete esse infeliz em mim, por favor!
Ele ri, como se debochasse de própria morte, num ato de pura loucura. Um homem de pau duro não poderia ter tanto controle sobre sua volúpia. Mesmo a desejando tanto, abandonou o defeito fálico e perderia o seu poder se a consumisse naquele momento. Mas, ela talvez não percebesse tal sutileza. Ele pega sua pasta com livros, arruma o paletó e termina com a mesma frase do roteiro.
- Esteja com o café pronto no mesmo horário. A próxima semana não será diferente.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Breviário Obsceno IV - Quase-estupro

A linha tênue que separa o querer e o "ser invadida". É neste lugar, bruto e denso, de limites inexistentes, que mora o desejo/medo. Não falo de fobofilia, sim de uma direção em que o medo acompanha a negação, em que o desejo de fuga é a única verdade consciente, e que todo o resto é um emaranhado de emoções e sentidos. Neste lugar, começa o meu conto...

Uma jovem mediana. Não chamava atenção alheia por saber se proteger bem dos olhares indesejados. Talvez desejasse olhos que a devorassem, mas, não olhos comuns e plácidos. Queria olhos malvados, podres e cheios de fogo. Não era fácil admitir, mas desejava que um estranho qualquer, numa das esquinas da vida, a jogasse no canto e judiasse dela, daquele jeito que não se faz nem com as piranhas que vendem o seu sexo por poucos trocados. Queria alguém sujo, que não perguntasse o seu nome ou se estava bom ou ruim. Apenas um puro objeto de prazer, menos do que uma boneca inflável ou um vibrador com pilhas recaregáveis.
Certo dia decidiu que iria dar asas ao seu desejo. Pintou o rosto de tons fortes, batom vermelho, vestido curtíssimo sem calcinha e uma sandália que valorizava a bunda e as pernas. Não iria levar bolsa e nem documentos. Queria simplesmente ser violada e deixada ali. Se houvesse outras agressões além do sexo, melhor ainda. Ela precisava se sentir viva, e talvez a dor e o medo a tirassem das músicas de elevador, tons pasteis e comida de baixa gordura.
Não chovia, mas ventava e fazia frio. Pensou por um estante como era feliz em não fazer aquilo todas as noites. Ela odiava o frio. Odiava como o vento tocava a sua pele, principalmente com tanta pele exposta. Caminhou mais algumas quadras, nada de taxi, precisava sentir o medo a cada passo. Mais algumas esquinas dobras e pronto, estava na pior localidade possível para uma moça sozinha naquele horário. Perto de uma boca de fumo, num canto escuro da cidade. Dificilmente, alguém conheceria ela ali. Alvo fácil...
Quase hora grande, e nenhuma alma viva ou penada se aproximava dela. Era impossível aquilo. Começou a ficar frustrada, se achando horrível, a pior das mulheres. Quando estava de jeans, tênis e camiseta, arrancava sempre algum comentário, mesmo que modesto. Agora, vestida para o abate, não havia matador para aquela causa.
Sem mais esperanças, pega os restos de si e da sua estima, e começa o caminho de volta para casa. Caminhada longa. Nunca o caminho de volta foi tão longo para alguém.
Duas quadras antes do seu apartamento, virando a esquina, se depara com um elemento mal encarado. Pondera, tenta não encarar o sujeito. Sente o seu hálito sujo, o perfume barato de peão de obra e sua camisa floral de missa de domingo. Devia estar voltando de algum bailão, trôpego e com o cigarro no canto da boca. Ele tira o cigarro com a mão direita, olha para a moça e quando tenta compor uma frase, a moça reage freneticamente e dá uma joelhada nas bolas do pobre diabo. Desce dos saltos e corre para casa, como se fugisse do capetão. E o infeliz nunca disse o que pretendia para a moça de pernas fortes, apenas teve dores durante a semana decorrente.


Escadaria

Devia ser agosto, quase setembro, não lembro. Recebo uma mensagem avisando que está na cidade e se não gostaria de sair para jantar. Realmente, fui pego de surpresa. Ela que tanto fugia de me conhecer, avisa que está na minha ilha perdida, e ainda por cima, tem coragem para um convite. Já tivemos o nosso período de latência, e o que faltava entre a gente era o simples contato dos corpos. Ela era uma pessoa estranha aos meus olhos, e olha que até eu sou normal quando me olho no espelho. Nunca arranquei dela uma palavra sobre sexo, um assunto tão confortável para mim, que até a minha vó fala das peripécias sexuais dela com o velho Nicolau. 
Apesar dela fazer o convite, eu escolhi minuciosamente o lugar. Um lugar tranquilo, sem música alta e com boa comida. Crepes e algum vinho tinto e seco. Não tem como errar.
Atravessei meia cidade para buscar ela na porta da casa de uns parentes. Mãe na porta, para eu ter que fingir ser bom moço. Boa noite, com licença e obrigado, sempre as palavras chaves, afinal, disfarço muito bem. Beijo no rosto, o respeito ainda se fazia presente naquele carro. Algumas palavras soltas no caminho, eu apresentando a cidade que ela já conhecia. Cumprindo apenas os regimentos do pré-coito. 
Ela estava com alto salto. Não sabia muito andar, principalmente com aquelas lajotas cheias de imperfeições. Ergui o braço, bom cavalheiro. Degrau, degrau e mais degrau. Chegamos na Degrau.
Pedi mesa para dois, no mezanino se possível. Parecia que aquele canto sempre estava reservado para mim. Quase havia o meu cheiro, o meu jeito de sentar na cadeira. Eu recomendei tomate seco e rúcula, cortado em quadradinhos, e com muita Tabasco. Pedi a carta de vinhos e chamei Dionísio para se sentar na mesa.
Uma taça de vinho, e vi seus olhos de desejo. Buchecha rosada e mãos inquietas. Peguei elas entre um compasso binário de um batuque qualquer. Olhos se tocam. Ela fingi timidez, mas aperta as minhas mãos. Arrasto a cadeira para próximo, e o crepe chega. Ela parece faminta ou usa a comida como prelúdio para o que está por acontecer. Azeite de oliva, pimenta e garfada, o trítono da música que tocava no momento. E a pausa. Mais um taça de vinho. Os olhos dela estavam maiores, havia muito mais desejo. Os pratos foram, e a posição anterior retorna a mesa. Os corpos mais próximos, o hálito de vinho, os lábios se tocam e "Love me do" toca no momento exato que os olhos se abrem no pós beijo. Peço a conta. Braços dados. Mais degraus. 
Descemos a rua, tirei o violão do banco de trás e sentamos na beira da lagoa. Algumas músicas, mais outros beijos tímidos. Quando terminei alguma canção dos Los Hermanos, ela virou e disse que queria ir embora. Esperei algum tempo até que ouvisse apenas o silêncio dela e do meu violão.

Canto dos Araças


        

Breve nota sobre lágrimas e gérberas

Devia ser agosto, quase setembro, não lembro. Ela era um heterônimo, uma distorção da própria volúpia. Avisou, sem muito explicar, que estaria de branco, cheia de odores do mundo e de outros lugares. Não foi difícil entender do que se tratava. Sexta-feira, lua alta, cheiros de arruda e cachimbo. Quem é de banda, é de banda. Quem não é...
Cabelo vermelho, olhos claros e pele extremamente branca. De tímida, passava longe, mas reparei o como media as palavras, os gestos e a postura. Laura, Wanda, ou seja lá qual for o nome dela, ela era apenas desejo.
Busquei ela num lugar que eu bem conhecia, ou talvez o lugar me conhecesse. Várias esquinas e encruzilhadas que dão em lugar algum. Entrou no carro. Beijo na face e sorriso de canto. Ela indica o caminho do seu apartamento. Subimos. Ela pede para tomar um banho e me oferece a sua cama. Eu sento, zapeio os canais da TV. Pornô, pornô, pornô, futebol, noticiário. Pornô e mais pornô. Parece até programação de motel. Sugestivo.
Ela sai do banho, toalha enrolada no corpo e outra no cabelo. Vi a toalha de cima manchada, tinta no cabelo.

- É, sempre acabo manchando as coisas com o cabelo.

Senta do meu lado, e sem a mínima cerimônia confere o volume da minha calça. Curta e determinada. Mostrou a que veio. Se aproxima, beijo no pescoço. Em contraponto, misturo minha mão esquerda em seus cabelos molhados. Puxo um tanto, afastando o rosto para um tapa. Mal armei a mão, e ela já solta sem respirar.

- Não gosto de tapa na cara. É uma total falta de respeito para mim.

Menos alguns graus no ângulo da minha ereção. Eu realmente gosto de dar tapas na cara. Não é a dor, e sim o ataque moral. Romper a fronte, simples assim.
O mesmo problema, corpos novos são sempre estranhos. Mesmo que o tesão seja extremamente alto, gozar não é objetivo do primeiro coito. É sempre conhecer a intensidade do outro, os gemidos e movimentos. Primeiras fodas são quase artificiais.
Depois de algum suor, perguntei se podia me dar de beber. O de fumar, eu já tinha. Fui na sala e olhei a mesa. Ferro, linda, muito bem trabalhada. Devia ser um tanto pesada. As cadeiras eram no mesmo estilo. Sentei, pedi fogo. Ela não se importou que eu fumasse. Falei o quanto era novo o maldito vício. Olhei para o vaso de flores na mesa. Gérberas muito bonitas.

- São as minhas preferidas - disse ela.

Naquele momento tive um grande dejà-vu, sabendo que tantos outros momentos como aquele eu teria.






segunda-feira, 21 de março de 2011

Breviário Obsceno III - Monólogo agridoce

- Se acha que eu vou lamber o chão por onde passa, está muito enganado, Senhor. Não são assim que as coisas acontecem no meu mundo. Sabe que morro de vontade desse misto insano que vive a contar para mim. Como acha que fica a infeliz da minha calcinha depois de escutar tanta coisa imunda? Posso até me vestir de menina, fingir pureza e recato, mas no meu íntimo, quero ser aquela piranha que tanta pinta nas tuas frases. Acha que é fácil negar a minha posição feminista e assumir que quero ser judiada e tratada como a pior das vadias? Porra, e pra que serviu queimar o sutiã se é um tapa na cara que quero... Odeio esse bando de homem frouxo que tenta me tratar como princesa, como menininha frágil ou como dondoca. Porque eles não entendem o que eu quero é um homem para me maltratar. Violar meu maculado corpo para que minha alma seja apagada, e que possa nascer novamente, como s'eu fosse apenas brandura. Parece poesia barata, mas é apenas desejo. Como você conseguiu plantar todos estes desejos malditos em mim sem nunca ter me tocado? Sim, só pode ser um bruxo malvado que manipula a mente de quem abra a porta. E nem tive a opção de escolher. É a minha vontade que me movimenta, e todas as direções são apenas... uma. É injusto, muito. Pensa, que opção tive se tuas palavras eram tão amenas. Parece o Burlador de Sevilla de bigode galego. Desculpe... Não era para ser assim. Eu não posso me submeter... não assim. Que lugar-comum, fala de coisas que todas as mulheres têm vontade de fazer, mas, apenas uma meia dúzia admite. E a meia dúzia, provalmente, são as tuas ex-namoradas. Que saco isso! Sabe de uma coisa, vou me vestir e ir embora. Sair e nunca mais olhar na tua cara. Seu safado! Sem vergonha!! Cachorro!!! Te odeio com todas as forças do meu corpo agonizante... sedento... de prazer. Porra, só com este olhar, já me deixou molhada novamente. Vê, estou escorrendo por ti. Vem, me usa como quiser. Vou ter que pedir muito? Droga, sei que é você quem manda. Perdão, o Senhor quem manda. Ainda não me acostumei bem com a ideia de o chamar de Senhor. Por favor, bate com força no meu corpo. Preciso disso. Não sabe como é difícil admitir, mas preciso muito. Sonhei tanto com o dia que iria me consumir. Veja, estou tão bonita. Amarradinha e imobilizada como o Senhor gosta. Chega mais perto, por favor. Deixa eu sentir o teu cheiro de homem. Está tão bonito com esta camiseta nova. Vermelho sempre lhe cai bem. Não me ignore assim. É muita judiaria deixar uma mulher com tanto tesão nesse estado inerte. Nada acontece. Eu não espero Godot, quero o teu pau latejando nas minhas víceras. Vem aqui. Minha boca saliva tanto. Deixa eu chupar ele. Ainda nem senti o gosto dele. Por favor, não aguento mais. Não, não quero a gag novamente. Não, por favor... Filha da P.....

Ele coloca mais uma vez a gag na boca da mocinha em fúria. Senta no sofá posto estrategicamente na frente da cama, pega o tubo de Pringles Barbecue e continua a mastigar lentamente, como é do seu costume. Gosta muito do que vê, e descansa no sétimo minuto.



Após um longo tempo de pensamentos tíbios, é importante voltar a escrever, ou o pseudo-escritor que finjo ser, morre.

Para este amontodado de coisas sem muita qualidade literária foi usada a seguinte mistureba:


  • A música Poker Face da Lady Gaga no modo "eu sou compulsivo pela mesma música e ainda bem que tenho fone de ouvido";
  • Aproximadamente 750 ml de Chá Mate Lipton Ice Tea de pêssego;
  • 8 cubos de gelo, que não são bem "cubos" e sim quase bolas, apenas faltando uma pequena calota no polo norte (sim, meu gelo é orientado magneticamente);
  • A primeira cena do filme Fuck Slaves, com a maravilhosa Sasha Grey sendo divinamente judiada (cheguei até a chorar de pena dela, pobre menina).
É importante dedicar este curto fragmento do meu breviário a todas as mulheres que não conseguem calar a boca. Quem muito fala, pouco tem a dizer. Saudades da Maria Caladinha, olhos baixos a gemer curtinho.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Final alternativo ao "Conto inacabado de um Natal morto"

A ideia do Conto inacabado é a mesma do coito interrompido. Nada de coisas molhadas latejando dentro de você. Nada de festinha. É a morte que antecipa a morte sem gemido. Mas, como eu ando feliz e algumas pessoas falaram que o conto não poderia terminar assim, hoje, é meu dia de ser puta (na escrita).

Como vou falar novamente de putas, botei Strip-Hop do 3 Mother Funkers, liguei o abajur vermelho e lavei as mãos com sabonete de erva-doce.

Vou contar até 3, e o conto volta na ida do homem ao banheiro. 3... 2... 1


O homem chega ao banheiro, usa o mictório. Ele sempre lembra Duchamp. Mas, logo em seguida lembra que prefere Magritte, que logo lembra do seu "Filosofia da Alcova" com uma pintura do Magritte na capa. Fica de pau após esta cadeia de lembranças. Lembra também que está num puteiro, um lugar onde nunca havia feito nada. Não era do seu feitio pagar por sexo. Mas, a quem ele estava querendo enganar. Toda mulher que se aproximava dele consumia a sua carteira. E não só ela, mas também o tempo. Enquanto contava o furos do mictório e tentava ligar todos eles com um caminho só, conclui com as devidas sacudidas no bilau, que o puteiro iria servir bem naquele dia quase morto. Chegou perto da pia e tirou o pau para fora. Pensou em limpar o pau na água gelada. Hesitou um momento e concluiu brandindo alto a seguinte frase enquanto se olhava no espelho.

- Aquelas putas vão me chupar com sebo e tudo mais!

Pronunciando isto, lembrou que o dinheiro lhe tornava poderoso. Tirou a calça fora, jogou sobre o ombro e voltou de pau pra fora no meio do salão.

As putas olham o homem voltar de pau duro sem calça. O barman fica surpreso com o tamanho do pau. Até o momento, não manifestava a sua putice no local de trabalho, mas... As duas putas mais novas e gananciosas correm até o pau do homem. A loira tira uma camisinha do bolso, e já segura na boca para botar no membro nada pequeno. Quando a puta ajoelha, o homem dá uma bofetada com o lado da mão e a camisinha voa longe. A puta não entende. Faz cara de coitada, mas o homem logo em seguida completa.

- Quero que chupe ele como está. Sem camisinha e todo cheio de sujeira. Estou pagando caro e quero tratamento especial.

- Seu moço, sem camisinha, eu não faço não. É muito perigoso...

- Perigoso o caralho! Vai me chupar, e ainda vai ser sem camisinha. Mil pratas pela chupada. Cada uma vai ganhar. E se tu não fizer, ofereço duas mil para tua colega te forçar a fazer isto.

No mesmo momento, a outra puta gananciosa, essa de cabelo cabelo curto e preto, pega a loira pelo cangote esfrega a cara dela no pau sujo sem nenhuma cerimônia. Tenta fazer becinho, não quer abrir a boca, mas logo se rende. A morena também acompanha. O homem gostou da atitude da morena de cabelo curto. Sabe que ela vai ser uma aliada na cena. Mais uma vez a voz profética do puto com muito dinheiro nasce de suas víceras.

- Uma cidade sem prostitutas é como uma casa sem banheiro. Puxa... gostei da frase, quem sabe uso ela em algum livro. Você aí que está só olhando, pega um copo de água agora. E seu bichona, para de olhar pro meu pau, senão daqui a pouco não te pago coisa alguma.

A puta veio com o copo de água na mão, e logo levou o conteúdo dele na sua cara. O homem queria apenas fazer chacota dela, mas puta ela não deixou de ficar. Ergueu a mão e foi de encontro a cara do infeliz. Tola ideia ela foi ter...

- Piranha! Comeu merda hoje cedo? Quem bate aqui sou eu!!! Vocês duas, esqueçam o meu pau. Quero que quebrem aquela vagabunda de porrada. Dou 10 mil para quem arrancar um dente daquela ali.

Sempre a ganância. As rameiras pularam de pronto na pobre indefesa. Socos, cusparadas e outras possíveis agressões, e nada da vadia sangrar. Enquanto isso o puto tocava uma bronha vendo a cena tão singular. Até que a meretriz de cabelo curto e preto arrancou a saia curta da vadia que estava apanhando, e lhe enfiou o dedo no cu sem o mínimo decoro. Pronto, mesmo puta sangra pelo cu quando é pega de surpresa. E apesar de puta, não é toda que dá o cu. Vestígios de uma feijoada de esquina vieram no dedo da gananciosa.

- Que vadia mais imunda, nem se prezou a fazer a chuca. Se botar esse dedo sangrento e cagado na boca dessa que me bateu, ganha o meu carro lá de fora.

Nisso o puto acelerava o ritmo da punheta e quase gozava. Nisso a outra puta tenta segurar a quase desvalecida e vai logo avisando a colega.

- Seguro ela para ti e tu me dá os 10 mil enquanto fica com o carro.

- Fechado.

Com estes dizeres o tempo passou em câmera lenta para os olhos do puto. A puta arregaçada, as outras duas continuando a violar, ele quase gozando, quase, quase... A de cabelo curto abre a boca da infeliz a força, e no contato com a língua, o vômito jorrou no mesmo instante que o puto gozou.



E assim acaba a o conto que não quer acabar. Fica a critério de cada um interpretação escatológica do conto. Podemos extrair várias possíveis mensagens do texto. Por exemplo, uma puta gananciosa pode ser o seu pior inimigo. Ou, dedo no cu sempre é um golpe baixo, mesmo para uma prostituta. Ou ainda, às vezes é bom negar um copo d'água para um cliente com muito dinheiro...    

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Conto inacabado de um Natal morto

O Arcano XIII do Tarot de Thoth

Enquanto o barman servia mais três doses de uma garrafa comprada de um whisky duvidoso (Jack Daniel's normalmente não tem esse gosto, mas a garrafa estava lacrada...), inicia o monólogo como que para uma platéia.

- Acompanha o meu raciocínio. Sabe o porquê este inferno de lugar vive cheio? A gente procura o não-nascer. A buceta é o caminho para aquilo que não devia ter acontecido. Todos querem voltar pro útero, onde não pensavam, não tinham que votar em político corrupto e menos se importar com a porra da família. Olhe para este lugar, pura decadência. Só ficaram as renegadas. Ora, puta não tem família? O que elas fazem aqui na ceia de Natal? Sim, irão ganhar perus sujos e fedidos. Restos de homens decrépitos que não tem outro lugar para estar nesta noite de morte. Natal não é nascimento, é a morte embrulhada com uma fita vermelha. E não podemos esquecer os caminhões da Coca-Cola. Até o Fernando Pessoa é a puta da Coca-Cola. Sempre somos a puta de alguém. Você é a minha puta agora. Escutando calado a minha indignação. Estou fodendo a sua orelha peluda com a minha língua áspera. E quer saber, nem eu sei o motivo da minha indignação. É apenas o vazio que perturba. Mas, se fosse algo cheio, também me importunaria. Talvez seja realmente a da minha consciência. Mas, acompanha o meu raciocínio. Não teria do que reclamar. Tenho a merda de uma cobertura num dos prédios mais caros da cidade, viajo para onde quero e quando quero a todo momento. Tenho tanto dinheiro que poderia comprar agora este lugar no débito ou crédito em qualquer um dos cartões que tenho na minha carteira. Quer ele de presente de Natal? É isto eu preciso pagar para minha puta da noite? Não vou te dar bosta alguma de presente. Nem se você tivesse o melhor boquete abaixo da linha do Equador. Sempre que falo em linha do Equador, lembro daquele episódio dos Simpons falando da força de Coriolis, aquele em que água da patente gira em direções diferentes. Sabe? Você não deve ter tido infância para assistir isto. Mas, é pura mentira. A água da privada gira em qualquer direção. Bullshit! Sabe, acho que o meu problema é que não gosto de pessoas. Todo mundo me dá asco em alguns meses. E olha que eu posso ser bem seletivo nas minhas escolhas. Engraçado, fazem alguns anos que passo o Natal aqui, alias, é o único dia que venho para esta pocilga. Nunca trepei com uma puta daqui. Sempre o mesmo ritual, uma garrafa, um copo limpo e o silêncio. Vejo todo ano as mesmas figuras. Aquela ali sentada de perna cruzada já foi bem mais gostosinha. No segundo ano que vim aqui, até pensei em passar os bagos nela. Não passou de um pensamento, uma paudurecência que mal passou de uma punheta. Olha, já que hoje foi um dia diferente, consegui conversar com alguém, desce uma garrafa do champagne mais caro daqui para cada pessoa que está conosco. Quatro putas. E uma pra você. Vou no banheiro e já volto. Mas, quando voltar, quero todos sorrindo, entendido? Quero te contar algo grande que aconteceu. Dois minutos e já volto.

O barman reúne as putas, conta da sorte delas em ganhar uma garrafa do champagne mais caro da casa, que dava mais ou menos umas três semanas de serviço da melhor puta do recinto. Que era para oferecer sorrisos e todos os agrados possíveis para o moço. Foi enfático em afirmar que pelo menos duas chupassem ele ali mesmo, e que outra fosse fazer uma massagem nos pés dele. afinal ele era o dono da casa hoje. Todas ficaram eufóricas com a sorte do Natal.

Porém, para infortúnio das rameiras e do barman, o homem escorrega e bate com a cabeça na pia. Não tem tempo nem de um último gemido de prazer. Algum tempo depois, três delas, como as Moiras, reprensentaram todo o contínuo da vida dele entre o nascimento e a morte. A puta restante desejou Feliz Natal ao barman com um beijo com gosto de L.A. Cereja.


Para a confecção deste conto foram usados os seguintes ingredientes:

  • O livro Estratégia de Lilith do autor Alex Antunes
  • A música People Are Strange da banda The Doors
  • A Dona Amery que comentou que o vizinho passou o Natal no puteiro
  • O DVD Throat Fuck da Buttman (entreterimento)

As Moiras por Strudwick